Rancho Folclórico de Santo Estêvão

Os passos para a formação do Rancho Folclórico de Santo Estêvão começaram por grupos de rapazes, raparigas, homens e mulheres de meia-idade que se juntavam com antecedência às festas familiares do Natal aos Reis. Estas pessoas organizavam-se, ensaiavam e, nas noites de Ano Novo e Reis, surgiam em público, deslocando-se na região pelas casas particulares. Aí apresentavam os seus cantares populares acompanhados de instrumentos de música e som, como acordeões, violas, banjos, pandeiretas, castanholas, ferrinhos, etc.

Com estes cantares traziam sempre o sabor da recordação e impregnavam pela antiguidade dos versos ou quadras, merecendo o interesse e a estima que o Sr. Ventura Fernandes Marques lhes dedicou.

Homem campestre, nascido e lidado na vida dura do campo, mas com certa vocação para a música e letras populares, motivo que o levou a arquivar canções e danças antigas. Não se sentindo preenchido somente com isto, e para dissipar o vazio existente, convidou rapazes e raparigas que iniciam os ensaios sob a sua orientação e conhecimento.

Nasce assim em maio de 1947, o Rancho Folclórico de Santo Estêvão.

ranchoRancho que pertence ao sítio da Igreja da Freguesia de Santo Estêvão, aldeia do barrocal Algarvio, situada entre a serra e o mar, onde os seus habitantes se dedicavam à criação de gado caprino e à agricultura de sequeiro, zona onde abunda a amendoeira, alfarrobeira, figueira e a oliveira.

A recolha dos trajes que o grupo apresentava fora feita pela Casa do Povo, por solicitação dos seus diretores e representam o início do século XIX.

No Algarve, após a revolução industrial, assiste-se a um fenómeno muito interessante; a novas danças, as quais não são mais senão a representação de como antigamente se dançava um bailarico, no trabalho do campo começaram a ficar conhecidas e adquiriram uma feição especificamente regional. Desta forma valsa amazurcada originou um balso marcado ou rasteiro, a polca o balso pulado e a polca amazurcada o corridinho

Na atual formação do grupo pode apreciar-se ainda esses mesmos trajes recuperados pelo grupo ao longo dos anos, representativos das várias camadas sociais que habitavam na Aldeia de Santo Estêvão por essas alturas, sendo o mais usual o traje Domingueiro e dos dias de Festa, em que as senhoras vestiam as suas melhores vestes para passear pela aldeia, também o traje das lides do campo como o pastor, o varejador, a apanhadora de alfarrobas e amêndoas, o ceifeiro, a padeira, a lavadeira, a vendedora de ovos, bem como, alguns artesãos no fabrico das alcofas de empreita e dos cestos de cana.

Um dos mais antigos trajes recuperados pelo grupo é o dos noivos.

O Rancho Folclórico de Santo Estêvão, ao longo dos seus anos de existência tem realizado atuações por todo o país, assim como, no estrangeiro nomeadamente França, Bélgica, Alemanha e Espanha.

Este evidenciou-se com alguma distinção a nível internacional e nacional tendo recebido vários prémios dos quais se destacam:

  • Concurso Internacional de Canciones Danzas Populares em Madrid;
  • 1º Classificado em trajes regionais no pavilhão dos Desportos em Lisboa;
  • Vencedor da 3ª eliminatória do Concurso Nacional de Folclore de Faro, tendo ficado em 2º lugar na final em Lisboa;
  • Taça de Folclore Algarvio – praia de Quarteira; 
  • Detentor de várias taças, salvas de prata e medalhas de centenas de exibições realizadas de Norte a Sul do nosso país.

E membro da Federação de Folclore português e da Associação Etnográfica de Folclore do Algarve.

Foi considerado instituição de utilidade Publica em 17 Agosto de 1999, conforme consta no Dec-Lei 460/77 do D.R. II serie nº 191

Atualmente, o Rancho Folclórico de Santo Estêvão é constituído por cerca de sessenta elementos, entre músicos, cantores, figurantes e dançarinos.

Muitas histórias de uma vida de glórias ficam por contar, mas o que todos anseiam é ver e ouvir o RANCHO FOLCLÓRICO DE SANTO ESTÊVÃO.